terça-feira, 27 de outubro de 2015

Domingo cinzento é sinal de trilha cinzenta.




A vida é tão rara, vivemos em um mundo tão turbinante onde nada para, a vida não para, nossa cabeça não para, nosso coração não para, claro que se parasse estaríamos mortos, mais não é esse o ponto. A pressa, o desespero, a insatisfação, o desrespeito, tudo isso está destruindo o ser humano. Vamos ensaiar um vida onde a paciência é o sol e giramos em torno dela. O segredo é ter paciência com tudo, com as pessoas, com a vida, com o seu desejo e principalmente consigo mesmo.

Domingo amanheceu nublado, o passeio para Friburgo para visitar o parque da Pedra do Cão sentado havia sido cancelada, eu estava mais uma fez rolando em minha cama, querendo fazer algo, eu havia desmarcado alguns compromissos para poder viajar com o grupo Ponto da Aventura porém, paciência, não rolou. Então fiz minhas orações e pensei, a netflix está com uma programação maravilhosa de séries e filmes europeus, assisti Minhas Tardes com Margueritte, esse filme é muito emocionante. Depois de ter recarregado minhas energias eu decidi mostrar a um amigo as maravilhas de Macaé.





Preparei minha mochila e parti para a Bicuda Pequena um distrito muito pacato de Macaé, o tempo oscilava com o sol tímido que teimava mostrar sua luz e a chuva que competia querendo um pouco mais de atenção. Levei uma hora dirigindo até chegar no povoado, eu e meu amigo Alisson, decidimos almoçar em uma pequena e aconchegante pensão, os dono foram muito gentis com a gente, a dona não parava de contar o quanto ela estava feliz por ter parado de fumar, ela disse que não foi fácil mais com muito esforço ela havia vencido esse vício. Esqueci de mencionar o Alisson é vegetariano e curte muito fazer trilhas também, e no menu havia uma lasanha de queijo com molho branco e a dono deixou bem claro que não havia nenhuma carne nela, nossas bocas encheram de água, a minha acabou de encher de novo só de lembrar da deliciosa comida servida naquela pensão, eu como carnívoro devorei três bifes de frango, porque eu amo frango, principalmente o frango assado da minha mãe.

Depois de desabotoar as calças e seguir enfrente ao nosso destino, mostrei para todos a importância de caminhar com o bastão de caminhada, o tempo havia se firmado e com uma bala de menta na boca nós seguimos. O caminho era muito agradável, eu já estava todo suado de caminhar rápido, quando avisto a frente dois gatinhos muito pequenos, abandonados em uma vala, o Alisson pôs um em sua palma da mão e ele se encolheu tentando se aquecer, e eu peguei o outro e sorri para ele. Coloquei ele no chão e corri sem olhar para trás, pois era muito difícil ter que deixa-los ali no chão molhado. Quando meu amigo me alcanço eu olhei para ele e perguntei se ele havia resgatado os bichanos e ele falou que não, fiquei triste. Mais seguimos em frente. São decisões que tomamos na vida, na volta não os encontrei mais.

Chegando na cachoeira a vista era deslumbrante, o silêncio que era aquele lugar. Eu super agitado, não parava, foi quando meu amigo me disse, Diego senta, tenha paciência, aprenda a CONTEMPLAR esse lugar lindo que você está me apresentado, escuta o barulho da água em suas quedas, veja os pássaros brindando a vida ao bater de suas assas. Eu tirei minhas roupas e entrei naquelas águas que corriam e levavam tudo que eu não queria mais em minha vida. Senti a queda da água em minhas costas, deixei pesar em meus ombros e relaxei, eu estava contemplando, eu estava vendo o tempo passar, eu estava ensaiando uma vida onde o contemplar era a principal tarefa do dia.

Uma família chegou e nos avistou, viram como estávamos felizes e dentro da água, estava um pouco frio fora da água porque dentro dela estava muito bom, era a vida que passava com uma velocidade pelo meu corpo, eu inspirei a família a entrar na água, valeu o esforço um deles entrou, a menina era pura alegria em sentir as águas levando seus problemas para bem longe, e assim relaxando. Ela estava feliz, o sorriso estava bem claro em seu rosto.

Todos já haviam ido embora, eu estava deitado em uma rocha que mantinha-se quente e dormi, ao despertar eu e Alisson decidimos escalar uma montanha muito alta, e seguimos, secamos nossos pés e subimos o morro, entre buracos e bostas de boi, seguimos, com era alto e distante, quando chegamos no topo, não era ainda o topo, o topo não chegava nunca. Enfim não chegamos ao topo, mais já era muito alto, as nuvens se fecharam em cima de nossas cabeças e começou a chover, decidimos descer, vou dizer a descida foi bem mais rápida. Nós olhávamos para cima e víamos o quanto distante estávamos.

Juntamos nossas forças e nos espedimos daquela vista maravilhosa, o tempo estava cinzento, mais estava agradável, nós nos divertimos, como foi bom exercitar o contemplamento da vida.

Voltamos para o centro e cozinhamos um jantar maravilhoso para meus amigos da República Muquifão.



Meus amigos, em dias de frio, em dias de tristeza, em dias em que você não se reconhece no espelho e tem medo, não se esqueça de gritar bem forte FODA-SE, FODA-SE.

Não tenha vergonha, não tenha medo. A vida não é tão difícil de ser vivida.

Os problemas sempre irão existir, porém ninguém vai te matar por você estar com seu cartão de crédito atrasado, ou estar com alguns quilos a mais, ou simplesmente insatisfeito com qualquer coisas. A vida não para. A vida é o que projetamos nela. Não espere, vá buscar o que você deseja.










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