Eu não havia levantado da cama, não havia arrumado minha mochila e já eram 10:00 h da manhã, eu precisava descansar confesso. E confesso também que estou um pouco viciado na Netflix.
Como sempre e estrategicamente fiquei planejando na minha cabeça o que levar para a trilha, estaria muito calor durante o dia e a noite com toda certeza estaria frio (no topo da Pedra).
Eu comprei umas roupas tecnológicas no site da Decathlon, segunda pele superior e inferior, casaco fleece, toca e luvas e calça legging response, havia prometido para mim que nunca mais sentiria frio outra vez, essas roupas estariam na mochila isso sem dúvidas, comida eu não fiz questão de me preocupar, levaria umas mexericas e umas barrinhas de cereal, jantaria no Sana com os amigos antes de encarrar a subida. Separei uma garrafa do vinho barefoot, um vinho da Califórnia cuja a casta era Zinfandel uma uva muito famosa e saborosa. Eu sou sócio do clube do vinho, wine.com.br é lá onde compro minhas garrafas.
Faltando uma hora para sair de casa, decido arrumar minha mochila e rapidamente ponho em prática tudo que havia planejado mentalmente. Pronto mochila arrumada, nela tem:
- Fleece quechua forclaz 500
- Luvas teke heat touch wed´ze
- Cachecol reversível wed´ze
- Segunda pele superior
- Collan isolante elioplay
- Calça ekiden essential kalenji
- Meias forclaz warm
- Cueca boxer kalenji
- Lanterna de mão energizer
- Vinho californiano barefoot zinfandel
- Camiseta ekiden kalenji
- Remédios,higiênico e comida
Decido ir de carro até Casimiro de Abreu, convido meu amigo Junior do Ponto da Aventura para ir comigo, estaciono meu carro na cidade e pego uma transporte que nos leva ao Sana.
Chegando no Arraial do Sana, o local está em festa pois estava acontecendo o 7º Festival de Música Instrumental do Sana, esperamos na praça, eu dormi literalmente, forrei a minha toalha na grama e tirei um cochilo. Acordei e dei um passeio pelo centro, meus amigos estavam se reunindo e era uma festa, todos se abraçando e matando a saudade, o ponto de encontro era na praça dos artesanatos, local onde é vendido todo tipo de artesanato local. Comprei uma toca de crochê muito legal.
Galerão reunido abro a garrafa de vinho, temos que esperar dar 23:00 para começar a trilha, já jantamos e bebemos, agora é tirar a foto com todos reunidos e partir.
Todos estão muito ansiosos, tem muitos que farão a trilha pela primeira vez e eu deixo bem claro que é uma trilha difícil e muito puxada, com subidas e escaladas. Gosto de ver a cara de assustado deles.
A lua está linda, começamos a caminhada, para minha segunda vez eu estou bem animado, eu estava com lanterna, equipamento que eu não tinha quando subi pela primeira vez.
Estava uma noite bem tranquila e quente, a trilha possui três pontos de coleta de água, ela não é muito sinalizada para se fazer a noite, mais o guia sabe o caminho de olhos fechados, que lugar lindo, a lua iluminava todo o pasto.
A galera bem animada não parava de falar, cantoria, imitação de som de animais, todos bem animados, eu poupava fôlego para aguentar o que vinha pela frente, uma subida bem cansativa puxando raízes e troncos de árvores. Tinha algumas porteira para atravessar, como dizia o guia o último a passar fecha a porteira, é regra.
Paramos para comer algo e descansar, como foi divertido, eu vi gente carregando sacola plástica, bolsa de uma alça só, mochila de computador, tinha de tudo. Isso só dificultaria as coisas para trilha, mais vivendo e aprendendo. Um ponto bem cobrado, NÃO SE FAZ XIXI NA TRILHA! Saia da trilha e faça suas necessidades.
Depois de 1:30 h de caminhada, já estava com muito calor, nós fazíamos várias pequenas pausa para agrupar o pessoal, eramos uma equipe e tínhamos que permanecer unidos. A quantidade de mulher era maior do que a de homem, um sinal que a mulherada está buscando mais se aventurar. Nossa, na última hora de caminhada de quatro horas total de subida, eu já não aguentava mais, as pessoas perguntando se estava chegando, a subida era bem íngreme, estávamos escalando raízes e troncos, estava muito escuro, esqueci de mencionar eu era uns dos primeiros da trilha abrindo caminho, me senti muito feliz por isso e senti medo por que era tudo muito novo, tinha muitas árvores caídas pela trilha dificultando nossa passagem. Mais quando alcançamos o topo foi incrível, que sensação de vitória, estava muito cansado e com muita sede, me restava apenas 500 ml de água apenas. Me instalei na pedra do Peito do Pombo e ficamos aguardando o resto do pessoal, tinha umas 15 pessoas comigo no topo e tinha muitas para chegar ainda. Aí que começa o problema para a galera, depois de muita festa e alegria contemplando a beleza do local. O frio era um inimigo, o corpo quente e suado, foi trocado por um com dor e com muito frio. Diga de passagem que eu não estava suado e muito menos com frio, graças as roupas tecnológicas e apropriadas para a ocasião, me salvaram. Acho que eu era o único que não senti frio, tinha o Bob o cachorro que nos segui a trilha toda, na verdade era ele que ia na cabeça da trilha, abrindo caminho. Era muito confortante na grande escuridão ouvir meus amigos chamando o Bob e ele aparecia com seu pelo branco abanando seu grande rabo.
O frio começou a incomodar a todos, a pessoas começaram a uma grudar na outra para não sentir tanto frio, eu deitei no meio de duas moças que foram me apertando e apertando, eu me senti um biscoito recheado onde o recheio era eu. Graças a mim elas conseguiram passar pela madrugada fria. Todos estavam rezando para chegar ao topo, depois rezando para a madrugada fria passar e o sol nascer. Claro que quando ele nasceu isso tudo ficou para trás visto a beleza de um nascer do sol, ele nasceu um pouco tímido e rosado, mais depois ele apareceu e esquentou a todos. Ver a superação dos meus amigos, com os pés arrebentados cheios de bolhas e machucados, os tênis rasgados, as pernas arranhadas e as mão com feridas, quem disse que é fácil fazer trilha noturna. Mais estávamos todos lá tremendo de frio e juntos.
Missão comprida, todos haviam conseguido finalizar a trilha, todos estavam em segurança no topo da montanha, todos tinham história para contar, calos para cuidar, lágrimas para enxugar, como era bom acordar e ver todos seus amigos ali reunidos em um só festa, muitas pessoas eram novas para mim, fiz novos amigos e revi velhos, foi muito prazeroso estar mais uma vez reunidos com eles.
Nosso retorno foi bem mais rápido e tranquilo, era dia e o tempo estava agradável, as fontes de água salvaram o nosso dia, eu estava com muita sede e bebi muita água na descida, e adivinha quem estava comigo na descida o cão legal Bob, ele estava bem magro e bem cansado, espero que ele fique bem.
Então correu tudo bem, fiquei muito feliz com o resultado da trilha. Espero ver todos na próxima aventura.














Diego!!!!
ResponderExcluirSeu relato foi tão emocionalmente que parecia estar ouvindo você falar, lindo e incentivador para quem nuca foi, mas está iniciando essa nova experiência as dicas foram ótimas, espero que quando eu for experimentar essa maravilha você esteja presente. Parabéns a todos que conseguiram vencer grandes desafios.
Muito massa, cara!
ResponderExcluirAdorei!! Agora serei seguidora e espero as próximas aventuras! Espero também, poder compartilhar com você em breve, mais uma sensação perfeita de como foi concluir a trilha do Peito do Pombo! Enjoy Di!
ResponderExcluirAdorei o relato. Detalhado de forma tão gostosa, que dá para imaginar tudo como se estivéssemos lá.
ResponderExcluirNa próxima estou dentro.
Beijo grande