quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Todos devem trilhar seu próprio caminho

Eu tive um Tia que sempre acreditou em mim, ela se chamava Verônica, uma mulher alegre, temerosa, uma educadora, ela tinha tanta energia, ela curtia fazer tudo ela mesma. Ela levantava parede e derrubava barreiras, pintava uma parede e desenhava no tecido. Como era bela suas obras-primas, que mulher forte.





Minha Tia Verônica morreu de câncer, ela ficou uns dois anos lutando contra a doença, uma guerreira e aos 50 anos ela se despediu de nós, como foi difícil receber a notícia. Não acreditei, como pode isso estar acontecendo, ela estava aqui nesse momento e no outro já não fazia mais parte das nossas vidas. Minhas lembranças são os presentes que ela me deixou de herança. Momentos maravilhosos, ela acreditava em mim, sempre acreditou.




Eu não sou batizado em nenhuma crença, meus pais preferiram que essa escolha fosse minha. Eu via todos os amigos tendo madrinhas e padrinhos e eu não tinha ninguém, foi quando eu a convidei para ser minha madrinha, ela rapidamente aceitou. Estou sorrindo nesse exato momento, ao recordar. Uma mulher jovem, com tanta energia, lutou até o fim.





Eu fiz uma peregrinação na Espanha, que se chama o Caminho de Santiago de Compostela, nesse caminho traçado por pessoas com fé, pessoas que acreditam na meditação, no auto conhecimento e na libertação dos bens materiais. Eu trilhei esse caminho por 30 dias, apenas com uma mochila nas costas.




Eu caminhei com o vento, com o sol nascente e poente, caminhei carregando as gotas das chuvas e os flocos de neves, caminhei até criar calos, caminhei até quando estava no chão, caminhei com sorriso, com lágrimas nos olhos, com raiva e com dor. Eu caminhei, como eu caminhei. Um misto de emoções, feito estações.


Meus olhos testemunharam tantas belezas, meu olfato sentindo aromas jamais imaginados, meu paladar foi ao céu e voltou com tantos sabores ali provados, meu tato foi tocado por tantas coisas e coisos e meus ouvidos foram afiados por tantas melodias a ele exposto.

Eu penso o quanto somos abençoados, a vida ela pode ser dura para os pessimistas ou a vida pode ser bem mansa para os otimistas. 



Tem aqueles que vêem o copo meio cheio e outros meio vazio. Eu já prefiro ver o copo sempre cheio.




A alegria está ao alcance de todos que querem sentir alegria. Está em um simples abrir de olhos ao bater de asas.   







terça-feira, 27 de outubro de 2015

Domingo cinzento é sinal de trilha cinzenta.




A vida é tão rara, vivemos em um mundo tão turbinante onde nada para, a vida não para, nossa cabeça não para, nosso coração não para, claro que se parasse estaríamos mortos, mais não é esse o ponto. A pressa, o desespero, a insatisfação, o desrespeito, tudo isso está destruindo o ser humano. Vamos ensaiar um vida onde a paciência é o sol e giramos em torno dela. O segredo é ter paciência com tudo, com as pessoas, com a vida, com o seu desejo e principalmente consigo mesmo.

Domingo amanheceu nublado, o passeio para Friburgo para visitar o parque da Pedra do Cão sentado havia sido cancelada, eu estava mais uma fez rolando em minha cama, querendo fazer algo, eu havia desmarcado alguns compromissos para poder viajar com o grupo Ponto da Aventura porém, paciência, não rolou. Então fiz minhas orações e pensei, a netflix está com uma programação maravilhosa de séries e filmes europeus, assisti Minhas Tardes com Margueritte, esse filme é muito emocionante. Depois de ter recarregado minhas energias eu decidi mostrar a um amigo as maravilhas de Macaé.





Preparei minha mochila e parti para a Bicuda Pequena um distrito muito pacato de Macaé, o tempo oscilava com o sol tímido que teimava mostrar sua luz e a chuva que competia querendo um pouco mais de atenção. Levei uma hora dirigindo até chegar no povoado, eu e meu amigo Alisson, decidimos almoçar em uma pequena e aconchegante pensão, os dono foram muito gentis com a gente, a dona não parava de contar o quanto ela estava feliz por ter parado de fumar, ela disse que não foi fácil mais com muito esforço ela havia vencido esse vício. Esqueci de mencionar o Alisson é vegetariano e curte muito fazer trilhas também, e no menu havia uma lasanha de queijo com molho branco e a dono deixou bem claro que não havia nenhuma carne nela, nossas bocas encheram de água, a minha acabou de encher de novo só de lembrar da deliciosa comida servida naquela pensão, eu como carnívoro devorei três bifes de frango, porque eu amo frango, principalmente o frango assado da minha mãe.

Depois de desabotoar as calças e seguir enfrente ao nosso destino, mostrei para todos a importância de caminhar com o bastão de caminhada, o tempo havia se firmado e com uma bala de menta na boca nós seguimos. O caminho era muito agradável, eu já estava todo suado de caminhar rápido, quando avisto a frente dois gatinhos muito pequenos, abandonados em uma vala, o Alisson pôs um em sua palma da mão e ele se encolheu tentando se aquecer, e eu peguei o outro e sorri para ele. Coloquei ele no chão e corri sem olhar para trás, pois era muito difícil ter que deixa-los ali no chão molhado. Quando meu amigo me alcanço eu olhei para ele e perguntei se ele havia resgatado os bichanos e ele falou que não, fiquei triste. Mais seguimos em frente. São decisões que tomamos na vida, na volta não os encontrei mais.

Chegando na cachoeira a vista era deslumbrante, o silêncio que era aquele lugar. Eu super agitado, não parava, foi quando meu amigo me disse, Diego senta, tenha paciência, aprenda a CONTEMPLAR esse lugar lindo que você está me apresentado, escuta o barulho da água em suas quedas, veja os pássaros brindando a vida ao bater de suas assas. Eu tirei minhas roupas e entrei naquelas águas que corriam e levavam tudo que eu não queria mais em minha vida. Senti a queda da água em minhas costas, deixei pesar em meus ombros e relaxei, eu estava contemplando, eu estava vendo o tempo passar, eu estava ensaiando uma vida onde o contemplar era a principal tarefa do dia.

Uma família chegou e nos avistou, viram como estávamos felizes e dentro da água, estava um pouco frio fora da água porque dentro dela estava muito bom, era a vida que passava com uma velocidade pelo meu corpo, eu inspirei a família a entrar na água, valeu o esforço um deles entrou, a menina era pura alegria em sentir as águas levando seus problemas para bem longe, e assim relaxando. Ela estava feliz, o sorriso estava bem claro em seu rosto.

Todos já haviam ido embora, eu estava deitado em uma rocha que mantinha-se quente e dormi, ao despertar eu e Alisson decidimos escalar uma montanha muito alta, e seguimos, secamos nossos pés e subimos o morro, entre buracos e bostas de boi, seguimos, com era alto e distante, quando chegamos no topo, não era ainda o topo, o topo não chegava nunca. Enfim não chegamos ao topo, mais já era muito alto, as nuvens se fecharam em cima de nossas cabeças e começou a chover, decidimos descer, vou dizer a descida foi bem mais rápida. Nós olhávamos para cima e víamos o quanto distante estávamos.

Juntamos nossas forças e nos espedimos daquela vista maravilhosa, o tempo estava cinzento, mais estava agradável, nós nos divertimos, como foi bom exercitar o contemplamento da vida.

Voltamos para o centro e cozinhamos um jantar maravilhoso para meus amigos da República Muquifão.



Meus amigos, em dias de frio, em dias de tristeza, em dias em que você não se reconhece no espelho e tem medo, não se esqueça de gritar bem forte FODA-SE, FODA-SE.

Não tenha vergonha, não tenha medo. A vida não é tão difícil de ser vivida.

Os problemas sempre irão existir, porém ninguém vai te matar por você estar com seu cartão de crédito atrasado, ou estar com alguns quilos a mais, ou simplesmente insatisfeito com qualquer coisas. A vida não para. A vida é o que projetamos nela. Não espere, vá buscar o que você deseja.










quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Pico da Bandeira - Serra do Caparaó - Minas Gerais

Pico da bandeira. O que esperar do terceiro maior pico da nação brasileira?

Eu esperava uma vista maravilhosa, esperava também dificuldades no caminho e esperava o calor e o frio e tinha certeza que ia morrer de fome, pois não levei nada para comer, apenas umas bananadas que eu tinha ganhado da minha amiga Brunna. Seguimos em frente!

Minas Gerais especificamente no alto do Caparaó uma cidade pacata infestada de Fiat Unos, era Uno para todos os lados. Um lugar aconchegante e bem tranquilo. Tem até WIFI free na praça da igreja, que também estão por todos os lados, para cada lugar que se olhava era um templo religioso diferente, tinha de todas as cores, sabores e tamanhos.

Na noite da viagem, faltando 30 minutos para minha carona chegar, eu decidi arrumar minha mochila.

Isolante térmico, saco de dormir, barraca, bastão...




Mochila pesada


No camping, todos haviam montado suas barracas era hora de comer
Tirei uma foto com ela nas costas e pensei que mochila pesada, como eu vou aguentar isso. Mais fui me acostumando, pensei na travessia de Petrópolis x Teresópolis, serão três dias e depois pensei no caminho de Santiago na Espanha que eu vou fazer em março que serão 32 dias de caminhada. Não é fácil colocar e tirar uma mochila grande das costas, tem que ter treinamento.

Mais uma vez eu vejo como as pessoas querem se divertir, no local do encontro para viajar, as pessoas iam chegando e vinham com tudo, vestiam roupas confortáveis e mochilas nas costas, sacolas nas mãos e com um sorriso estampado no rosto. Não estavam nem aí com nada, simplesmente o sentimento de liberdade e aventura. Que orgulho estar rodeado de pessoas assim.











Seguimos viagem, o motorista muito louco, se perdeu várias vezes, manobrava em lugares proibidos e muitas vezes nem espaço tinha para manobrar, a galera reclamou um pouco da empresa 1001. Eu tomei um remédio de gripe, não que eu estivesse gripado eu queria é dormir mesmo e dormi mesmo. As vezes que acordei era pelo barulho de apito que o ônibus emite quando dá ré e a outra era a minha amiga de poltrona, ela soltava muitos gases fedidos.

Eu posando de gatinho
Meu barraco no Terreirão
No topo
Já instalado no Camping, hora de estrear minha barraca NORD, meu saco de dormir, o isolante térmico que na minha cabeça era perfeito. Que nada, não é fácil acampar, que trabalheira, encontrar um lugar bom com terra macia, que tenha sombra, o pior é que todos querem um cantinho desse, foi uma correria,  eu corri me joguei no chão junto com minha mochila e finquei meu bastão de caminhada no chão e proclamei naquele momento o Estado Unido do Diego, pronto era meu território.

O sol já havia se despedido

Vamos montar a barraca, ler o manual e rezar que tudo dê certo. Deu tudo certo, a barraca ficou muito bonita e claro não entrei deixei para mais tarde, que decepção como é pequena, ou eu sou alto e grande demais, minha cabeça ficou encostada em um lado e meus pés no lado oposto, me senti numa lata de sardinhas. E o saco de dormi que na minha cabeça era uma cama, que nada, nem entrar nele eu consegui,  não fabricam esses produtos para pessoas grandes. Nunca li em blog um aviso de que não é confortável dormir em saco de dormir, não posso esquecer do isolante térmico funciona, funciona se eu tivesse colocado três, um do lado do outro, cara apenas um metade do seu corpo vai ficar do lado de fora com toda certeza, eu passei por essa experiência. Porém para curtas caminhadas é preciso carregar poucas coisas e coisas leves. Tudo bem, nada que um relaxante muscular não te faça apagar.

Vamos falar da caminhada até o pico da bandeira, nossa que lugar lindo, eu em vários momentos me senti na Terra Média da trilogia Senhor dos Anéis. Um lugar lindo, uma imensidão imensurável, escadas de pedras, setas pintadas nas rochas marcavam a direção, estacas no caminhos demarcava os limites da trilha, sempre seguindo a estrada dos tijolos amarelos, o grupo segui de jipe por dentro do Parque, até um mirante onde começava a trilha para o topo, um lugar lindo.

 O guia faz uma reunião explicando tudo o que era necessário para concluir a trilha até o topo, gente é muito chão, o tempo estava quente, meus braços ficaram pretos de tanto sol que eles pegaram.

Eu fui seguindo a trilha admirando toda sua beleza até chegar no terreirão, um lugar descampado que serve de base para começar realmente a subida da base ao topo do pico da bandeira. Lá é um camping, com banheiro e água potável. Descansei durante umas duas horas e partimos da base ao topo. Segui a trilha com dois rapazes e uma moça, eles andavam muito rápido, nos distanciamos de todos, e concluímos a subida em 1:30 h, nessa subida você passa por todos os tipos de obstáculos, são muitas pedras soltas, arbustos, fora a vista maravilhosa que muitas vezes me vi distraído contemplando sua beleza.


Falta ar a cada passo que eu dava, o ar ia ficando rarefeito, eu tive dificuldade de respirar o coração disparava, eu muitas vezes tive medo de morrer por causa da pressão que dava no corpo, mais deixa de drama, eu queria chegar lá no topo, eu ia pulando de pedra em pedra, meu bastão de caminha meu fiel escudeiro me ajudou muito, polpando meu joelho tanto na subida quanto na descida. Importante todos devem comprar um, é barato 50,00 você compra um.

De longe perdido naquela imensidão que mescla Espirito Santo e Minas Gerais a gente via a torre, que calor eu suava muito, desidratava demais, tinha bebido bastante água no terreirão, mais parecia que eu ia evaporando a cada passo dado. Que lugar incrível, o topo quando finalmente cheguei, não tem como descrever a beleza e o quanto é alto.

Galera toda reunida depois de horas

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O que levar para uma travessia a pé de 3 dias

Eu vou fazer uma travessia (Petrópolis X Teresópolis) a pé de três dias pelo Parque Nacional da Serra dos Órgãos, que fica na região serrana do Rio de Janeiro, a ideia surgiu após ter feito um curso de sobrevivência na selva em Teresópolis organizado pela UFFI Adventures Trilhas e Rumos, uma galera do bem. Paguei pela travessia R$ 320,00 em depósito, não tenho cartão de crédito. 



Vou confessar, que eu estou um pouco perdido em relação a tudo, eu nunca acampei, a única fez que coloquei um mochilão nas costas foi quando fui para Europa e a mochila nem era minha, saco de dormir sei que é um saco e são tantos itens que eu estou quase desistindo. 




Eu não sou muito de planejar, eu vou ver lá na hora. Não curto ficar vendo fotos ou seguindo os planos de outros que já fizeram, eu curto o novo e é isso que eu vou fazer. 

As vezes, eu me imagino sentindo o vento da montanha mais alta e me sentindo livre, nesse momento eu acredito realmente que posso voar, não literalmente, que seria impossível. Porém isso me faz persistir em não ter preguiça, porque no fundo é mais fácil ficar no meu sofá. Mais não ficarei no meu sofá nunca mais, nunca mais.

Dei uma pesquisada nos equipamentos necessários para o acampamento, sei que o momento econômico não está fácil, então comprei algumas coisas na liquidação, eu sou o cara mais econômico do planeta eu garimpo oportunidades, já até fui apelidado carinhosamente por um amigo de Vladek Spiegelman, só porque eu uso o saquinho de chá duas vezes e só compro na liquidação.



Eu também pedi emprestado aos meus amigos coisas que eu poderia usar. 

Vou listar as coisas que eu achei importante ter, comprar ou pegar emprestado e não devolver.


ACAMPAR


O que eu estou levando:
  1. Isolante térmico M50 Quechua
  2. Saco de Dormir Micron X-lite 5 Graus - Nautika
  3. Barraca de Camping Nord Outdoor Summit - 2 Pessoas - FRETE GRÁTIS
  4. Utensílios para acampamento (prato, talhares e copo)
  5. Cantil de água (Clor-in)
Se eu tivesse mais dinheiro eu também levaria:
  • Lençol para saco de dormir
  • fogareiro
  • Panela
  • uma pessoa para carregar minha mochila



COMER


O que eu estou levando:

1 - Kit lanche
    1. barra de cereal sabor A
    2. barra de cereal sabor B
    3. dois polenguinhos
    4. caxinha de suco de laranja
2 - Kit Almoço
    1. Cup noodles
3 - Kit Jantar
    1. Cup noodles
4 - Avulso
    1. Saco de amendoim
    2. Bombons




NECESSÁRIO


O que eu estou levando:
    1. Remédios (cabeça, estômago, anti-gripal, esparadrapo)
    2. Protetor solar
    3. Produtos de higiene pessoal (lenço umedecido, desodorante, hidratante, sabonete)
    4. Chapéu ou boné
    5. Óculos escuro
    6. Lanterna e baterias
    7. Sapatos de trilhas (botas ou tênis com trava)
    8. Toalha tecnológica seca rápido
    9. Bastão de caminhada para ajudar na descida
    10. Chinelo para descansar o pé a noite



ROUPAS


O que eu estou levando:
    1. Duas calças
    2. Duas camisas
    3. Dois pares de meias
    4. Três cuecas
    5. Casaco segunda camada (Fleece)
    6. Casaco terceira camada (Impermeável e corta vento)
    7. Toca e cachecol
Eu estarei viajando no dia 10 de outubro, será meu presente de aniversário. 




Estarei mostrando como é bom e fácil curtir a vida, momentos inesquecíveis eu terei.

Go Diego! Go!